Um estudo preliminar divulgado pela American Heart Association sugere que o uso prolongado de melatonina pode estar associado a um risco 90% maior de insuficiência cardíaca em pessoas com insônia crônica. A análise, publicada no ScienceDaily em 29 de agosto de 2026, avaliou registros de mais de 130 mil adultos. Metade deles usou melatonina por pelo menos um ano. Os resultados não provam que o suplemento cause problemas cardíacos, mas acendem um alerta sobre a segurança do uso contínuo.
Entre os adultos com insônia crônica que tomaram melatonina por 12 meses ou mais, cerca de 4,6% desenvolveram insuficiência cardíaca em cinco anos, contra 2,7% daqueles que não usaram o hormônio. O risco de hospitalização por insuficiência cardíaca foi 3,5 vezes maior no grupo que usou melatonina: 19% precisaram de internação, enquanto no grupo controle o índice foi de 6,6%. A mortalidade por qualquer causa também foi quase o dobro entre os usuários de longo prazo. Os dados vieram de registros eletrônicos de saúde de mais de 130 mil adultos com insônia.

Especialistas reforçam que o estudo é observacional e não estabelece relação de causa e efeito. A insônia crônica em si já é associada a maior risco de problemas cardiovasculares, o que pode confundir os resultados. O médico Ekenedilichukwu Nnadi, autor principal do estudo, afirmou que os suplementos de melatonina podem não ser tão inofensivos quanto se supõe. Ele destacou que, se os achados forem confirmados, isso pode mudar a forma como os médicos orientam pacientes sobre auxiliares do sono.
A melatonina é um hormônio produzido naturalmente pelo corpo e, em doses baixas e por períodos curtos, é considerada segura. No Brasil, ela é vendida como suplemento alimentar, sem necessidade de receita. O problema, segundo os pesquisadores, é o uso diário, prolongado e sem orientação médica. Mais estudos são necessários para entender os mecanismos e confirmar os riscos antes de mudar recomendações.
A pesquisa também contrasta com estudos anteriores que sugeriram benefícios da melatonina para o coração. Uma análise de março, por exemplo, indicou que a suplementação melhorou a qualidade de vida e a função cardíaca de pacientes com insuficiência cardíaca. No entanto, esses estudos eram menores e com populações diferentes. A comunidade científica ainda não chegou a um consenso sobre o uso prolongado do suplemento.
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