O bitcoin opera em alta nesta segunda-feira, 17 de agosto, recuperando o patamar de US$ 63 mil depois da queda registrada na semana passada. Segundo a Exame, as criptomoedas seguem descorrelacionadas das bolsas internacionais e não reagem diretamente às incertezas geopolíticas provocadas pelas notícias da guerra no Irã. Na manhã desta segunda, o BTC chegou a ser negociado na casa de US$ 63.500, com alta de cerca de 0,9% na sessão. O movimento ocorre após o ativo ter caído para US$ 61 mil no fim de semana e depois recuperado parte do valor. Vendedores tentaram derrubar a cotação, mas não conseguiram sustentar o preço abaixo dos US$ 62.300, mantendo o mercado em lateralização.

A recuperação, no entanto, ainda é vista com cautela por analistas. O bitcoin não produziu um rompimento decisivo e segue pressionado por tensões geopolíticas, fluxos institucionais incertos e desenvolvimentos regulatórios. A Bitget alerta para risco de forte volatilidade no mercado de derivativos, com o BTC mostrando apenas uma recuperação moderada. Segundo o Valor Econômico, os ETFs spot de bitcoin nos Estados Unidos registraram cerca de US$ 385 milhões em saídas líquidas na última semana, o que limita a força do movimento de alta. A falta de fluxo novo impede que o ativo ganhe tração para romper a faixa em que vem oscilando nas últimas semanas.
No campo técnico, os níveis de resistência e suporte ganham importância. Uma movimentação sustentada acima das médias exponenciais de 20 e 50 períodos, na região de US$ 63.700 a US$ 64.300, seria necessária para aliviar a pressão de baixa imediata. Por outro lado, uma quebra do suporte de US$ 60.000 poderia abrir caminho para novas quedas. A média de 200 semanas, que agora roda perto dos US$ 63 mil, deixou de ser piso e se transformou na primeira resistência, seguida de US$ 65 mil e da zona de US$ 65,6 mil, que rejeitou o preço duas vezes no fim de julho. Por baixo, a referência é a mínima de sexta-feira, em US$ 62,8 mil.

O cenário macro também segue no radar dos investidores. Na quarta-feira, sai a ata da reunião de julho do Federal Reserve, presidido por Kevin Warsh, que deve trazer sinais sobre os próximos passos da política monetária. Na semana seguinte, entre 27 e 29 de agosto, ocorre o simpósio de Jackson Hole, com a primeira fala de Warsh como presidente do Fed no dia 28. Enquanto isso, o ouro opera acima de US$ 4.380, o juro do título americano de 10 anos está em 4,69% e o dólar roda a R$ 5,22. Esses indicadores mostram um ambiente de cautela global, que tende a manter os investidores mais defensivos em relação a ativos voláteis como o bitcoin.
Apesar das incertezas, a resiliência do bitcoin em manter os US$ 63 mil é vista como um sinal positivo por parte do mercado. O ativo já havia se estabilizado nesse nível após a divulgação da inflação dos EUA, na semana anterior. O descolamento das bolsas e a indiferença relativa às tensões geopolíticas indicam que o mercado cripto está mais maduro, mas ainda dependente de fluxos institucionais para sustentar uma alta mais consistente. A semana será decisiva para definir se o BTC consegue romper a resistência e retomar uma trajetória de alta ou se continuará preso na lateralização.
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